Como construir um quadrante

Fernando A. P. Vieira

 

 


Os quadrantes são instrumentos antigos, usados por astrônomos e navegantes. Sua função principal era determinar a altura angular dos astros e, com esta, a latitude do lugar. Consistem basicamente de uma placa onde são inscritos os ângulos de 0 a 90°, um fio onde é amarrado um pequeno peso e uma mira.





           Nesta atividade aprenderemos a construir um quadrante.

            Para isso, usaremos a cópia impressa do gabarito. Este poderá ser colado em um pedaço de compensado (cerca de 10mm de espessura) que, posteriormente, poderá ser cortado seguindo a linha pontilhada. Após amarrar o peso no fio, faz-se um laço na outra extremidade para fixá-lo no prego (ver desenho). Sobre o lado (90º), fixe um pequeno tubo para servir de mira.

            As medições serão mais precisas se o quadrante for preso a um tripé. No gabarito está indicado o lugar onde poderá ser feito um furo para que um parafuso de 1/4” fixe o quadrante ao tripé.

            Para medir a altura angular de um astro ou outro objeto qualquer, aponte o quadrante e veja o alvo através do tubo, colocando-o no centro (veja figura). A altura angular será indicada pelo fio. As leituras do quadrante devem ser feitas com o plano do quadrante na vertical, de modo que o fio não encoste na escala, nem fique muito afastado.





Atividade 1. Determinação da altura linear de um poste.


 Para isso, meça:

a)  a distância (d) em metros entre a base do poste e o local onde será feita a medição com o quadrante, utilizando uma trena.

b)  a distância (L) em metros entre o quadrante e o chão.

c)  a altura angular (H) do poste (com o quadrante). Se o quadrante não estiver preso a um tripé, peça a alguém para fazer a leitura da escala enquanto você aponta.

            A altura, em metros do poste, é obtida por: (d tang H) + L.





 

Atividade 2. Determinação da latitude do lugar usando estrelas.


            Sabendo-se a declinação (*) e a altura angular de uma estrela quando atinge a culminação, pode-se determinar a latitude do observador.

            As estrelas, em seu movimento diurno, após surgirem no nascente, vão se elevando até atingirem uma altura máxima, para depois começarem a abaixar em direção ao poente. Quando a estrela atinge a altura máxima, diz-se que ela está culminando. Isso ocorre no meridiano - plano na esfera celeste que passa pelos pontos cardeais Norte e Sul, e pelo zênite do observador.




 

            Vamos então observar periodicamente, de 15 em 15 minutos, uma estrela que esteja próxima da culminação com o quadrante (instalado em um tripé),  registrando o valor de sua altura (H). Notaremos que a altura aumenta a cada medida e se estabiliza para depois cair progressivamente. A nós interessa apenas o valor da altura máxima.

            Para ler a escala à noite, será necessário o auxílio de uma lanterna.

            A latitude do observador é dada por:

 

PHI = DELTA + Z,  se a estrela estiver ao Sul do zênite ou

PHI = -Z + DELTA, se a estrela estiver ao Norte do zênite

Z = 90º - H

Onde DELTA é a declinação da estrela.

 

Apresentaremos abaixo uma lista com as declinações de algumas estrelas brilhantes que você poderá usar nesta atividade. Se houver necessidade de outras mais, consulte o Anuário do Observatório Nacional.


Achernar = -57,2°

Aldebaran = +16,5°

Alfa Centauri = -60,8°

Alfa Crucis = -63,1°

Antares = -26,4°

Arcturus = +19,1°

Canopus = -52,7°

Capella = +45,9°

Rigel = -08,2°

Spica = -11,2°

Sirius = -16,7°

Vega = +38,8°

 

(*) As coordenadas das estrelas são a ascensão reta e a declinação. Estas são análogas às coordenadas geográficas, longitude e latitude.

 


Atividade 3.  Determinação da latitude usando o Sol.


A medição da altura do Sol é feita observando-se a sombra do prego projetada na escala, no momento em que ela atingir o valor máximo. Para isso, ajuste o quadrante de modo que o fio de prumo coincida com a marca de 0º.





A hora em que isso ocorre não é necessariamente às 12h, como se poderia pensar. Na verdade a hora da culminação do Sol é variável ao longo do ano.

Como na atividade anterior, Z = 90º - H.

            Após consultar a tabela a seguir, veja qual é a declinação do Sol para data mais próxima daquele dia. Ao contrário das coordenadas das estrelas que são praticamente constantes, pelo menos para o nosso caso, as coordenadas do Sol se modificam muito dia após dia. Além disso, valores mudam um pouquinho de ano para ano para um determinado dia.

A tabela está resumida. Se você achar conveniente, consulte uma tabela mais detalhada no site do Observatório Nacional.



Mês Dia Declinação Mês Dia Declinação
Janeiro 1 -23,0º     Julho 1 23,1º
10 -22,0º     10 22,2º
20 -20,2º     20 20,7º
Fevereiro 1 -17,1º     Agosto 1 18,0º
10 -14,4º     10 15,6º
20 -11,0º     20 12,5º
Março 1 -7,6º     Setembro 1 8,3º
10 -4,2º     10 5,0º
20 -0,2º     20 1,1º
Abril 1 4,5º     Outubro 1 -3,1º
10 7,9º     10 -7,0º
20 11,5º     20 -10,3º
Maio 1 15,0º     Novembro 1 -14,4º
10 17,6º     10 -17,1º
20 20,0º     20 -19,7º
Junho 1 22,0º     Dezembro 1 -21,8º
10 23,0º     10 -22,9º
20 23,4º     20 -23,4º

 

 

            A distância zenital do Sol também pode ser obtida pela sombra de uma haste fincada verticalmente:

Z = arco tangente (S/h)

onde S = comprimento da sombra e h a altura da haste.


A latitude é obtida por:



PHI = DELTA + Z, se a estrela estiver ao Sul do zênite ou

PHI = -Z + DELTA, se a estrela estiver ao Norte do zênite